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Mandetta fica ou sai?

Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

O Ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta (DEM) passa por dias complicadíssimos. Além da preocupação com o coronavírus (COVID-19), Mandetta agora tem que medir suas palavras ao falar em público.

O chefe da saúde foi alvo de elogios durante quase toda semana por partidos de esquerda, direita, centro e por centenas de profissionais da área médica e cientistas. A transparência e serenidade com a condução das medidas para conter o avanço da doença no Brasil também agradaram a população. Em recente pesquisa divulgada pelo Datafolha, Mandetta apareceu com 55% de aprovação, contra apenas 35% do seu chefe.

A discrepância nos números e o discurso do Ministro incomodaram o Planalto. Bolsonaro não admite isolamento total e tem forçado a barra para Mandetta mudar o posicionamento. O senador Jorge Kajuru, disse em recente entrevista à Rádio Bandeirantes, que teme o pedido de demissão do Ministro.

A relação entre as partes não é a melhor possível e pode ficar ainda mais turva depois que o presidente Bolsonaro aproveitou o domingo (29) para dar uma volta em Brasília e visitar comércios abertos, contrariando as ordens do Ministro.

Em entrevista publicada pela Agência Brasil (imprensa oficial do governo), o presidente voltou a reforçar sua posição pela abertura dos comércios. “Temos problema do vírus? Temos. Devemos tomar cuidado com os mais velhos. Mas temos a questão do desemprego também. O emprego é essencial. Se o Brasil não rodar, muitos vão perder o seu emprego”, declarou.

A reportagem da Agência Brasil ainda lembrou que em entrevista coletiva de sábado (28), Henrique Mandetta, afirmou que é preciso se preocupar com a economia e com atividades como logística, mas reforçou a importância de evitar aglomerações e circulação como forma de evitar que a disseminação do vírus aumente e haja uma sobrecarga no sistema de saúde. “Se a gente sair andando todo mundo de uma vez, vai faltar [equipamentos e atendimento de saúde] para o rico, para o pobre, o dono da empresa e o dono do botequim. Precisamos ter racionalidade e não nos mover por impulso. Vamos nos mover pela ciência e parte técnica.  Nosso problema não é a letalidade para o indivíduo. A conta é que esse vírus ataca o sistema de saúde e da sociedade como um todo”, ressaltou o ministro. 

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